Turno Matutino
O terceiro dia de trabalho começou com o Arnold Juma na oficina de cerâmica. O artista aplicou uma técnica para confecção de carrancas, estátuas de argila, estas figuras expressivas representam muito bem o povo africano, principalmente a fisionomia tribal. Após mostrar fotografias de algumas estátuas produzidas por ele em sua casa, o artista ensinou uma técnica diferente de textura da habitual praticada pelas ceramistas. Ele utiliza o barbante trançado sobre a argila, quando o barbante é retirado o desenho que fica na peça, todos ficaram maravilhados.
Juma apresentou às ceramistas técnicas que utilizam fundamentalmente o alto relevo e que segundo o artista podem ser de grande valia para retratar histórias míticas ou contar histórias de nossos antepassados. Tais técnicas são bastante utilizadas por ele e na cultura africana como um todo.
O artista Queniano sugeriu que as ceramistas pesquisassem um pouco mais sobre os povos indígenas já que uma das educadoras afirmou ter parentes com tal origem.
Concomitantemente, Patricia Odindo realizou uma atividade que focou na linguagem visual e na produção de desenhos que retratam o cotidiano das mulheres de tribos tradicionais do Quênia, como a preparação dos alimentos.
Através dos desenhos os participantes tiveram a oportunidade de conhecer de maneira dinâmica as especificidades culturais do país e as atribuições delegadas às mulheres que fazem parte de comunidades e tribos.
Juma ainda ministrou uma aula com técnicas de desenho e pintura, nas quais aprofundou a atividade feita no dia anterior ao pintar utilizando a folha de uma erva em cima de um tecido branco de algodão.
Turno Vespertino
Juma e Patricia tiveram a oportunidade de conhecer rapidamente alguns espaços da comunidade, tais como o campo de futebol, a quadra onde são realizados diversos eventos e em especial a associação de moradores, onde puderam conhecer o trabalho de promoção social desenvolvido e os avanços que a comunidade teve nestes últimos anos nesta área, em virtude principalmente de um estreitamento do diálogo entre as instituições da comunidade.
Juma e Patricia ficaram bastante surpresos ao se depararem com problemas muito similares aos vivenciados na África, como por exemplo, a dificuldade de acesso à necessidades básicas tais como educação e saúde de qualidade e a desigualdade de oportunidades em todas as esferas.
Além disto, os artistas deram continuidade às atividades realizadas com a turma de serigrafia do projeto Vila Solidária, ensinando técnicas mais rebuscadas de tié-dye, como o tingimento com mais de uma cor, bem como uma técnica denominada Tritik, que consiste na mescla de duas atividades: a costura e a serigrafia. Inicialmente o tecido é costurado de forma específica com desenhos escolhidos pelo próprio participante; feito isto o tecido é tingido e ganha novos e interessantes efeitos visuais.
Juntamente com a turma de serigrafia, a aula contou com a participação das ceramistas de Vila do João, totalizando dez participantes.
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