Turno Matutino
Dando continuidade ao processo de pesquisa e workshops promovidos por Arnold Juma e Patricia Odindo, na segunda visita dos artistas quenianos a Vila do João foram realizadas diversas atividades com vistas a fornecer aos participantes informações acerca dos aspectos mais relevantes da sociedade queniana, bem como introduzir algumas técnicas e práticas desenvolvidas pelos artistas.
Cinco educadores da área de artes visuais e serigrafia da ACB tiveram a oportunidade de aprofundar seus conhecimentos já que também participaram das aulas ministradas por Juma e Patricia em 2006. Para que os artistas pudessem visualizar o trabalho já realizado pelos educadores foram apresentados os materiais, tecidos e estampas utilizadas nas últimas coleções de moda, fornecendo também informações das referências e conceitos utilizados para a criação das peças, tais como livros e desenhos.
Arnold Juma e Patricia Odindo puderam analisar as técnicas e práticas já desenvolvidas pela instituição, de forma a prover informações e dados que pudessem referenciar ainda mais tal processo de criação, bem como introduzir novas técnicas e conceitos, que fornecessem novos olhares sobre a cultura Afro.
No segundo momento de aula, por sugestão de Patrícia Odindo, os educadores foram convidados a realizar pesquisas na internet, objetivando aprofundar o olhar dos educadores sobre a diversidade cultural presente na África. Cada participante ficou responsável por pesquisar sobre um país da África e buscar referências e conceitos para suas criações. Esta pesquisa esta sendo planejada para ser realizada durante toda a semana.
Patricia Odindo também realizou com os participantes uma pesquisa que abordou fundamentalmente a diversidade cultural do Quênia. As fontes foram fotografias e desenhos da fauna e flora, bastante diversificada e rica no país, e a tribo Massai e suas especificidades.
A artista explicitou o significado e representações de cada uma das figuras e foram abordados os simbolismos, sempre presentes nos desenhos africanos; através de desenhos geométricos bastante simples é possível apreender uma vasta gama de representações e simbologias, que de forma geral são ligadas à natureza, como o respeito e devoção ao sol, que é visto como deus e sinônimo e boa sorte, e os símbolos de má sorte, como a cobra e a coruja.
Arnold Juma ressaltou que na África há um contingente diverso de comunidades e crenças: no Quênia há cerca de quarenta e dois grupos étnicos diferentes que possuem crenças distintas. Portanto, são muitas singularidades de cada país e em especial cada comunidade. Ele realizou uma pequena demonstração de técnicas de pintura manual que produziam diversos efeitos visuais como o stancil que utiliza moldes e recortes feitos de maneira simples pelo artista e a técnica de impressão com folhas, que utiliza apenas pincel, tinta e folhas, enquanto Patricia propôs aos educadores a criação de desenhos a partir de fotografias da tribo Massai apresentadas.
Turno Vespertino
Os artistas puderam apresentar técnicas de tingimento de tecidos, batik e tié-dye para os educandos do curso de serigrafia, do projeto Vila Solidária e funcionários que também participaram desta aula. Juma iniciou a aula abordando de maneira introdutória no que consiste o tie-dye, os tipos de amarrações e de que forma este pode ser feito, além de apresentar os equipamentos e materiais utilizados para este fim.
Após esta explanação cada educando pode colocar em prática o conhecimento adquirido ao receber uma camisa branca para que pudesse escolher a forma de tingimento (com listras, em diagonal ou em círculos) e acompanhar todo o processo de tie-dye descrito antes na teoria: a forma de amarração do tecido, a imersão na água e a posterior imersão nos corantes.
Para realização da prática os artistas utilizaram: barbante e tampas de garrafa, que são facilmente encontrados, supervisionaram cada educando nesta primeira atividade, indicando o tempo estimado para cada etapa e a maneira correta de realizar.
A aula ministrada para iniciantes foi bastante produtiva, pois estimulou os educandos a conhecer as práticas inerentes ao curso no qual estão inscritos, apresentando um pouco das tradições e técnicas desenvolvidas na África e em especial no Quênia, que vai ao encontro com a missão da Instituição ACB/RJ que busca a valorização e resgate da cultura afro.
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