| |
|
Ação Comunitária abriga evento com a fina flor da poesia
01/11/2005
- Equipe de Comunicação
|
|
A noite de sábado foi agitada na Maré, quando os moradores da Vila do João presenciaram uma grande festa. Contando com Chico Buarque, Camila Morgado, Carlinhos Vergueiro e os diretores do filme Miguel Faria Jr. e Suzana Moraes, o evento de pré-estréia do filme “Vinícius: Quem pagará o enterro e as flores se eu morrer de amores”, realizado para proporcionar à comunidade o contato com a obra de Vinícius de Moraes, foi além das expectativas dos organizadores.
Antes da exibição, os artistas conheceram o trabalho realizado pela Ação Comunitária do Brasil, tais como as oficinas culturais e de artesanato, além do salão de beleza afro e o espaço do Hip Hop, que tem como educadores os rapazes do grupo de hip hop Nação Maré, moradores da comunidade que atuam no filme cantando a poesia “Blues para Emmet” no ritmo do rap.
Para Camila Morgado, o objetivo do evento foi mais do que homenagear as pessoas da Maré que participaram do filme.
- É uma questão de participar, de igualdade mesmo. Se eu tenho acesso, você também pode ter. Eu acho que posso contribuir pensando e agindo assim. Não é a questão de que a Camila Morgado veio ver o filme e sim a aproximação da comunidade com a importância de Vinícius de Moraes. Cultura não ocupa espaço, só soma. É muito bom trazer o filme para as pessoas assistirem e entenderem quem foi Vinícius de Moraes.
Para a atriz, a busca pela aproximação com os moradores da Vila do João foi o que a levou à pré-estréia. - Conhecer a comunidade, conversar, trocar experiências e ter um encontro com a cultura. Quando o Miguel (Faria Jr., diretor do filme) disse que faria a apresentação do filme na Maré, eu fiz questão de estar presente.
Camila contou que deu aulas de teatro para um projeto social de Petrópolis. Para ela, essa experiência muda a percepção da realidade e aproxima das questões de desigualdade social que geralmente vemos como algo distante. Na concepção da atriz, as atividades que acontecem na ACB/RJ contribuem para despertar o potencial dos moradores da região.
- Achei muito importante a idade com que vocês trabalham. Dos 14 aos 21 anos é uma época muito crítica na comunidade. As atividades realizadas vão resgatando a auto-estima e tornando esses jovens cidadãos. É isso que eu estou vendo no trabalho aqui na comunidade. Às vezes a pessoa não percebe o potencial que ela carrega. Parabéns à Ação Comunitária, pois o trabalho realizado é lindo, conclui a atriz.
Após a exibição do documentário, Roberta Rodrigues, integrante do grupo de teatro da ACB, cantou a clássica “Folhetim” à capela para Chico Buarque. Os rappers Bom, Nego Jeff e Leroy também fizeram todos cantarem e dançarem, no ritmo do rap, suas músicas politizadas que já fazem sucesso na comunidade. De Chico Buarque, passando por Camila Morgado e os diretores do filme aos moradores da Maré, todos participaram e se emocionaram juntos.
Suzana Moraes, filha do poetinha, disse que Vinícius gostaria imensamente de estar ali e que teria se orgulhado de saber ser ele o verdadeiro responsável pelo encontro.
|