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Ney - Élcio Silva Sobrinho

Pintura artística na comunidade

Se alguém chegar em Cidade Alta e perguntar por Elcio Silva Sobrinho, pode ser que alguém já tenha ouvido falar. Mas se a perguntar pelo Sr. Ney não há quem não conheça. O incrível é que são a mesma pessoa, Ney é o apelido apenas. Ele não sabe nem o porquê, não liga e atende a todos os acenos e cumprimentos. Durante o tempo dessa entrevista, a cada frase pelo menos uma pessoa saudava o artista.

Carioca, articulado, inteligente e muito apaixonado pelo ofício. Ney, assim como a maioria dos artistas, tem a capacidade em transitar em vários mundos.
Faz exposições constantes pela cidade, cria estampas para a torcida do Botafogo, do Vasco e do Flamengo, dá aulas de pintura na oficina de artes - pintura, desenha para o núcleo de moda da Ação Comunitária. "Vejo o trabalho da Ação uma abertura muito grande no campo da arte. Sou apresentado e represento a Ação em vários lugares como um dos artistas principais artistas da ACB/RJ." comentou o artista.

Ney comenta sua carreira internacional com muito orgulho. "Em 1975 fui para os Estados Unidos tentar a sorte e na tentativa de desenvolver minhas técnicas de pintura. Fui como turista e depois acabei ficando clandestino. Lá fiz quatro exposições, estudei e tive o prazer de representar o Brasil no Festival Norte Americano de Arte, na Universidade da Califórnia (UCLA) e no Aeroporto Internacional de Los Angeles"

"A arte não surgiu depois de algum tempo, minha arte já nasceu comigo! Eu pintava desde pequeno"

O artista faz questão de ressaltar que sua popularidade aumenta a cada dia devido a seus desenhos serem aproveitados em várias oficinas, na Moda, no Teatro, pela Comunicação da Ação e nas campanhas de Cartão de Natal. Geralmente suas imagens são lembranças históricas dos tempos de infância e das características atuais de Cidade Alta.

- Fico apaixonado quando vejo meu desenho estampado. É maravilhoso, é o reconhecimento de meu trabalho. Se você pensar bem vai ver o quanto cresci. Não que eu seja superior a algo, mas para um menino de favela como qualquer um que usava roupa rasgada e de pé descalço, eu cheguei a estudar nos EUA, fui para o México, Chile e Peru apresentando minha arte e hoje tenho minha arte associada à ACB/RJ.

A história de Ney se mistura com a de Cidade Alta. Quando houve a remoção a família veio toda para a Cidade Alta. A remoção foi em 69 ele tinha 16 anos na época. Na remoção da favela da Praia do Pinto houve outras remoções, Parque do Leblon e a Ilha das Dragas, que eram palafitas que tinha em cima da Lagoa Rodrigo de Freitas, onde hoje é o Estádio de Remo da Lagoa.

- Nós não sabíamos que iríamos ser removidos. Na época não tínhamos idéia do que significava uma remoção. Houve uma lista realizada por líderes, quem dizia que não iria sair, a máquina de demolição com aquela bola da ponta do pêndulo jogava a casa das pessoas no chão. Não tivemos escolha, fomos expulsos!

Na época, Ney trabalhava na arte da Escola de Samba Aprendizes da Gávea e dos blocos: "Vira Mundo", "Bloco da Lata" e "Bloco do Balde". O artista não esquece que as pessoas foram transportados em cima do caminhão de lixo. "Eu era muito novo e não tinha maturidade suficiente para entender. Os mais velhos reclamavam enquanto eu só ouvia. Quando chegamos aqui, Cidade Alta era um deserto, não tinha nada em volta." revela.

Ney se diz cada vez mais realizado com seu trabalho. Ele orienta os jovens nas aulas de pintura e vê um grande futuro para seus discípulos.

- Eu achava que era o único artista em Cidal, depois que abrimos para a comunidade as aulas para o curso de pintura vi uma molecada grande com trabalhos muito bons. Já descobrimos muitos artistas comunitários. No geral as crianças têm medo de criar com receio de estar fazendo algo errado. O nosso trabalho é dar confiança para eles.

 

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