|
Com o objetivo de resgatar e valorizar a cultura negra, o grupo Kina Mutembua existe há dois anos e meio. O nome, estranho a princípio, significa "dançando com o vento" na língua quicongo, da etnia banto. A proposta de unir a capoeira com a dança afro foi feita ao grupo de capoeira da Ação Comunitária. O grupo topou e começou a ensaiar algumas coreografias. Daí em diante, já fizeram inúmeras apresentações, inclusive no Chile. "Foi muito bom, parecia que a gente era rei, pediram autógrafo, pediram até pra gente escrever no braço", lembra Leandro Serra, de 15 anos.
Cada participante treina cerca de cinco horas por dia, de segunda a sábado, e uma vez por semana participam de uma roda de leitura, onde conhecem um pouco mais da cultura negra. Além disso, todos os integrantes estudam. A participação no grupo mudou a rotina de muitos deles. "Eu saía da escola, chegava em casa meio-dia, dormia até as 6 da tarde e depois ia pra rua", conta Felipe Galvão, de 17 anos, que está no grupo há tanto tempo.
Todos eles recebem uma bolsa auxílio mensal de R$ 120,00, além do cachê de algumas apresentações, que é divido igualmente, mesmo com quem não esteja se apresentando. "A gente procura valorizar quem se esforça", comenta Romildo dos Santos, líder do grupo e professor de capoeira da ACB.
O Kina agora está investindo em novos projetos. Eles já têm uma nova coreografia, criada por eles próprios. Além da Orquestra de Berimbaus, onde em parceria com a cantora Roberta Ribeiro, trazem uma interpretação bem peculiar (ao som do berimbau, como já diz o nome da orquestra) de alguns sucessos da música popular. Tudo aquilo que o grupo já realizou não os deixa acomodados. Eles fazem planos para realizar mais. Como Romildo, que sonha alto, e é apoiado pelos colegas. "Já nos apresentamos na frente do teatro Municipal, mas meu sonho é me apresentar naquele palco", planeja.
Texto: Leonardo Marques
Outros casos de sucesso:
Dona Raquel
Assunção Pinheiro
Janice Aquino
Antonio Pereira Rodrigues
Ronaldo Vicente Pereira
Leonardo Barbosa Santos (Magrão)
Paulo Leandro
Cerâmica Negra abre novas portas para mulheres da Maré
Karatê abre um mundo de oportunidades para educandos
|