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"Participar do Fashion Rio é uma paixão! Fico encantada e eufórica com as lojas e as variedades. Lá conheci pessoas, dei entrevistas e até apertei a barriguinha do Walter Rodrigues". Foi assim que Dona Raquel, costureira do núcleo de moda de Cidade Alta , descreveu sua participação no evento.
Segundo ela, o trabalho árduo durante aproximadamente 60 dias para a elaboração das peças que participam do Fashion Rio cria muita expectativa. A compensação vem com o resultado das vendas, principalmente do vestido Jardim, criado por ela. "É muito gratificante, dá uma satisfação ouvir 'Como é lindo esse vestido!' Foi ótimo", festeja.
O dia-a-dia de Dona Raquel é um retrato de sua personalidade. Durante o dia ela participa da oficina de moda na Ação Comunitária do Brasil/RJ em Cidade Alta , acabou de refazer o 1º grau, está matriculada no ensino médio e aos sábados faz um curso de espanhol. O maior desejo atual é o de encontrar tempo para fazer outro curso de modelagem.
Surpreendente a cada frase declarada, ela completa: "Sou viúva, moro com meu filho, que irá se casar em pouco tempo. Solidão? Nem pensar. Eu também vou me casar. O pretendente é uma pessoa maravilhosa", conta entusiasmada. Ela faz questão de ir sempre ao cardiologista, o motivo: Coração doente não ama!
O gosto pela costura pode ser também interpretado como tradição familiar. Sua tetra avó era costureira nata e como não conhecia máquina, fazia o vestidos de noiva à mão. "A família inteira costura e não é só mulher, tem alfaiate também", disse. Dona Raquel costura desde os sete anos de idade. De tanto mexer e estragar a máquina da mãe e da irmã, Dona Odília, mãe de Raquel prometeu que daria uma máquina quando ela passasse para o segundo ano primário. Quando foi aprovada a mãe vendeu uma vaca e comprou a máquina para ela, e daí pra frente nunca mais parou de costurar.
Para ela, o convívio na Ação Comunitária do Brasil/RJ é comparado à uma irmandade onde todos se ajudam o tempo todo, lutando por um só objetivo. "A cada dia nosso trabalho cresce. Já estamos até em outros países. Trabalhar na Ação é muito bom, ajuda muito no orçamento e no meu caso particular, aumenta muito minha auto-estima". Seu maior desejo em relação ao grupo é o de conseguir bastantes encomendas, sucesso e outras novas oportunidades.
Quando a entrevista estava terminando Dona Raquel abriu um sorriso e disse "Eu sei que a maioria das pessoas não gosta, mas você pode colocar a minha idade. Tenho 61 anos, com muito orgulho".
Fotos e Texto: Rogério Máximo
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