A Ação Comunitária do Brasil do Rio de Janeiro (ACB/RJ) realiza a exposição "Cerâmica negra da Maré", no Espaço Cultural CEDIM (Conselho Estadual dos Direitos da Mulher do Rio de Janeiro), até o dia 28 de julho, reunindo 35 trabalhos das educandas da Oficina de cerâmica étnica. Esta é a primeira vez que estão sendo exibidos seus trabalhos ao público, mas esta exposição tem uma importância muito maior na vida dessas mulheres.
Para retratar um pouco melhor esta importância, vale a pena contar a história de quatro participantes da oficina, de diferentes lugares do Brasil. São mulheres como Francisca Duarte de Oliveira, 38 anos, nascida no Maranhão; Clenilda Silva (Nilde), 29 anos, de Pernambuco; Maria Evangelista da Silva Pereira (Ritinha), 53 anos, do Rio Grande do Norte; e Irene da Cruz Gomes, 57 anos, do Rio de Janeiro.
A cerâmica surgiu na vida dessas mulheres através do convite de amigos ou através da imposição das filhas, como aconteceu com Nilde.
- Minhas filhas me inscreveram na oficina para me tirar um pouco de casa. Antes eu só ficava arrumando a casa e vendo televisão – explica Nilde.
No início sempre o mesmo medo e o mesmo pensamento: "Eu não vou conseguir. É muito difícil". As mãos, ainda duras, acostumadas a outras atividades, como é o caso de Dona Ritinha, que trabalhou como costureira durante 20 anos, sofrem um pouco com a mudança para o toque delicado e precioso do trabalho com a cerâmica. Ela explica que no início suas mãos eram tão duras, que o professor tinha que ajudar a amassar a argila.
Entretanto, com algumas aulas as mãos foram ficando livres das amarras do medo e começaram a nascer as primeiras obras, mostrando que elas poderiam fazer muito mais. A partir da oficina, novas portas forma abertas. Elas tiveram oportunidades de conhecer novas culturas e lugares.
- Aqui eu só tive coisas boas. Visitei vários lugares que eu jamais pensei; ou pensava que eram lugares apenas de gente chique, como o CCBB e vários outros museus - comenta Francisca.
A cerâmica, além de proporcionar conhecimento, trouxe outros benefícios para as educandas. Todas as peças produzidas são comercializadas, o que possibilita a geração de uma renda extra no fim do mês.
- Antigamente eu pedia dinheiro para meu marido. Hoje, é ele quem me pede - explica Nilde.
Para Dona Irene, todo esse trabalho desenvolvido na oficina de artesanato é muito importante, porque mexe com o orgulho das pessoas, ajudando a criar um sentimento de autovalorização.
Segundo o professor e coordenador da oficina de Cerâmica negra, José Siqueira, depois dessa exposição nada será como antes, e novas portas se abrirão no futuro. As educandas também compartilham da mesma opinião.
- Eu sinto que essa exposição no CEDIM é apenas a primeira de muitas outras, podendo abrir várias portas para as próximas exposições - explica Nilde.
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