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Na última edição do Fashion Business, uma novidade da ACB/RJ chamou muita atenção. Várias bonecas negras vestidas com pequenas roupas idênticas às da coleção da moda. O sucesso foi tão grande, que não sobrou nenhuma boneca para contar história. Todas foram vendidas. Porém, apesar de parecer novidade, as bonecas são fruto de um trabalho mais antigo. A oficina de bonecos banto teve início há três anos.
Seu objetivo, como o próprio nome já diz, é fazer um resgate da cultura banto. Capoeira, orixás, jongo e ciranda são retratados em forma de bonecos. O sucesso da oficina foi grande. Apenas seis meses depois do início, os bonecos começaram a ser vendidos. As alunas, que passaram a fazer parte da equipe de produção, foram acrescentando novas idéias como o chaveiro e o broche. Com o passar do tempo, elas próprias passaram a tocar a oficina e hoje coordenam a produção.
Edite Pereira Nunes, uma das oficineiras, trabalhava por conta própria, como desenhista de instalações elétricas e de gás. A necessidade de criar sozinha o filho Vítor a levou a deixar o emprego de técnica de construção civil em uma firma para trabalhar em casa. Porém , a procura pelos projetos que ela desenhava em prancheta, passou a ser pelos feitos em computador. Como Edite não tinha o equipamento em casa, foi ficando mais difícil viver daquilo. Foi aí que ingressou na oficina da Ação Comunitária. "Se um lado está ruim, você tem que ir pra outro, né?", brinca ela. Hoje, a bolsa que recebe da ACB/RJ é boa parte da renda mensal de Edite. Parte do lucro das vendas é dividida entre ela e as demais artesãs Maria Catarina Ferreira, a mais antiga na oficina, Joice Gonçalves e Liliane de Jesus, que entraram depois de participar do Primeiro Emprego.
Para elas, o trabalho trouxe mais do que um aumento na renda. "Quantas coisas a gente aprendeu. Antes de eu trabalhar com as bonecas, eu não prestava atenção em racismo, por exemplo", comenta Edite.
Apenas mulheres trabalham no grupo. Alguns homens entraram pelas vagas do Primeiro Emprego, mas logo saíram. "O preconceito é muito forte", acredita Maria Catarina. Além dos homens, as alunas evangélicas têm dificuldade com a oficina. "Muitas pessoas eram evangélicas e saíram porque não entenderam", comenta Edite. Maria Catarina é membro da Igreja Universal e crê que algumas mulheres têm dificuldade de separar a cultura da religião: "Eu sei separar as coisas. Estou trabalhando em cima de uma cultura".
Outros casos de sucesso:
Kina Mutembua
Dona Raquel
Assunção Pinheiro
Janice Aquino
Antonio Pereira Rodrigues
Ronaldo Vicente Pereira
Leonardo Barbosa Santos (Magrão)
Paulo Leandro
Cerâmica Negra abre novas portas para mulheres da Maré
Karatê abre um mundo de oportunidades para educandos
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